O teu olhar estava fixado em mim. Não sei porquê, mas mexia comigo de uma forma invulgar. Um olhar inocente, inquiridor, como que perguntando "quem és tu?", "o que fazes aqui?". Perguntas que eu, por mais que te quisesse explicar, não conseguiria. Apesar de não te responder, isso não te demoveu e, continuaste a olhar fixamente. Sim, o teu olhar encantou-me e, felizmente que não alcançava os meus olhos, àquela hora já humedecidos. Felizmente, os meus óculos escuros não revelavam a minha sensível fraqueza. O teu sorriso, sempre acompanhado de uns olhos bem abertos, conquistou-me e pedia mais. Ora, a nossa ligação não passou despercebida àquelas que te acompanhavam e, era por demais evidente que estávamos conectados por algo, que nem tu, nem eu conseguíamos explicar. No fundo, até conseguia fazê-lo e, foi isso que me sensibilizou... o teu ar frágil e belo, de quem não tem mais de dois meses de idade, "apenas" fez despertar os fortes instintos paternais que (ainda) "vivem" em mim...
E quem diz que o "relógio biológico" é coisa de mulheres, nunca esteve tão enganado na vida. Aqui, ou em Algures onde apenas eu sei...